As transformações do mundo do trabalho e seus impactos na vida cotidiana das pessoas é matéria clássica das Ciências Sociais. Observar, perguntar, escutar, analisar, refletir e escrever sobre esse tema desafia gerações de pesquisadores mundo afora. No Brasil, onde a precarização do trabalho e as desigualdades interseccionais são profundas e estruturais, qualquer mudança nas relações de trabalho merecem atenção e sensibilidade analítica para capturar as dimensões desse fenômeno.
O desafio dos nossos tempos é compreender o modo como o capitalismo se reconfigurou de forma a gerar novas possibilidades de acumulação de capital, mesmo diante de sucessivas crises econômicas e sanitárias. Desafiada pelo tema, a pesquisadora Vanessa Monteiro debruçou-se sobre esse problema munida de ferramentas conceituais sobre o capitalismo contemporâneo, combinando a sua abordagem crítica ao capitalismo de plataforma com a teoria do capitalismo racial.
Baseado em trabalho de campo com trabalhadores de aplicativo, durante a pandemia de Covid-19, este estudo mostra a funcionalidade da dimensão racial para reprodução do capitalismo de plataforma, que demanda mais precarização e exploração da força de trabalho. A autora, influenciada pelo sociólogo do trabalho Ricardo Antunes, chega mesmo a ver paralelos entre o trabalho de plataforma como uma nova modalidade de escravidão moderna, daí o nome do livro.
A imbricação entre capitalismo de plataforma e capitalismo racial é realidade nua e crua no país. Isto é, já está impregnada em nós como uma segunda pele e segue sendo uma realidade inexorável da ordem econômica dos nossos tempos. Estamos imersos e dependentes desse sistema, por isso compreender o que está por trás dessas engrenagens é o objeto central deste livro.
Flavia Rios,
Universidade de São Paulo (USP)
Livro: Escravidão moderna - Raça e classe no capitalismo de plataformas
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